Sunday, January 01, 2012

Questão de perspectiva

É Muito difícil olhar pela perspectiva do outro. É difícil quando o outro teve uma criação parecida, estudou nos mesmo colégios, tem o mesmo padrão de vida. É mais difícil ainda quando o outro teve uma vida bem diferente. Não estou falando em outras culturas. Isso é foda! Não tem como “ler” uma cultura diferente da nossa. A gente “ler” usando como referência a nossa cultura e ai tudo é analogia. Estou falando em olhar pela perspectiva de outra pessoa nascida e criada na mesma cidade que a nossa, mas que não é a gente. Escutei uma vez que casar é sempre muito difícil porque o outro, por mais anos que vocês já convivam, ainda é um estranho, estranho no sentido de não ter nascido da mesma barriga, não ter tido os mesmos pais, a mesma infância, os mesmos amigos, a mesma casa, os mesmos avós, ou seja, as mesmas referências. Porra, eu concordo! O outro é sempre um estranho. Por mais estranho que isso pareça. E é engraçado, quando a pessoa acha que não ta mais estranho, fica estranho. Assim, do nada! E ficar estranho não significa ficar ruim, nem ficar bom, simplesmente ficar estranho, diferente.

Eu acho que, além de não ser fácil olhar pela perspectiva do outro, eu não gosto muito de fazer isso. Eu tenho dificuldade de perceber que não estou fazendo, sabe como é? Ai quando caio na real, paro e passo horas (re)analisando um bando de situações. No final, me sinto meio mal, mas sempre acho que era mesmo do jeito que tinha achado no exato momento do exemplo. Que pessoa terrível eu sou, né? E o pior, é sempre assim! Termina que eu já cresci muito com as experiências vividas, claro que mudei bastante também, mas poderia ter mudado bem mais. Poderia talvez ser até uma pessoa mais tranquila. E eu nem sei se isso seria realmente tão bom assim. Talvez 2012 seja um ano mais desafiador do que o esperado. Mas, vamos que vamos!

Friday, December 30, 2011

Que venha 2012!


Ano passado não fiz planos, pedi apenas que o ano fosse melhor do que o de 2010. Pedir apenas que seja melhor é muita petulância! Mas foi isso que fiz. E foi isso que ganhei. Em 2011 não aprendi a lidar com a perda de painho. Não aprendi a sentir menos saudades. Não aprendi a parar de sonhar que ele ainda está vivo. Não aprendi a entender as crenças espíritas, católicas ou evangélicas. Eu acho insuportável essa história de que apenas a matéria se foi. Meu amigo, era a matéria que me abraçava, que me escutava, que gargalhava, que ia lá e resolvia tranquilamente qualquer problema. Como não MORRER de saudade dessa matéria? Isso eu não aprendi. Mas aprendi a não culpar nada nem ninguém pela minha perda. Aprendi a não julgar o sentimento e a reação do próximo. Aprendi a valorizar a solidariedade. Aprendi a ser solidária. Ser de verdade, não apenas comparecer a um enterro ou missa de sétimo dia. Aprendi a valorizar os momentos, porque a vida é feita deles e por mais clichê que isso seja, só é clichê porque é a mais pura verdade.


Esse ano foi repleto de momentos felizes e boas surpresas. Veio o Diario, depois veio Daniel, depois veio a viagem de mainha e no meio tempo vieram novos aprendizados, novos amigos e novos momentos de confraternizar com os amigos antigos. Finalizei mais uma etapa com a aprovação no curso de especialização e terminei deixando os estudos um pouco de lado. Emagreci e voltei a engordar, matei um pouquinho da saudade de JB, aproveitei não fazer nada e fiquei feliz pela felicidade do outro, principalmente de Luquinhas, que seguiu meu conselho depois de oito anos de amizade. Uma hora eu ia conseguir!


Agora, época de fazer planos, metas e pedidos, eu quero agradecer. 2011, muito obrigada por tudo! 2012, que você seja tão bom quanto 2011. Eu sei que é muita petulância pedir isso, mas já que vem dando certo, por que não tentar?


Saturday, November 26, 2011

Que honra!


Acho que vou ser aquelas velhinhas que não conseguem ouvidos para tantas histórias. Não só porque gosto tanto de falar que sou conhecida por isso, mas porque a minha vida é uma benção de pessoas e histórias lindas.

Hoje presenciei uma das mais lindas cerimônias de casamento que pode haver. Não tinha nenhuma celebração religiosa. O lugar, lindo e agradabilíssimo, não contou com bandas, decorações chamativas nem mesas gigantescas de comida. Ao invés do arroz, jogamos bombons para adoçar a vida dos noivos. E ao invés de formalidades, passamos o final da tarde e o começo da noite relembrando as leseiras da época do Recanto e compartilhando amor verdadeiro.

Que honra que tenho em fazer parte de um grupo seleto de pessoas que se amam pelo que são. Que honra em participar de um momento lindo e cheio de autenticidade. Que outros instantes assim voltem a acontecer. Sempre!

Wednesday, October 26, 2011

Verdade absoluta


Colega: e qual a especialização da sua mãe, afinal?

Eu: ela tem quatro.

Colega: e o que ela foi fazer nos Estados Unidos?

Eu: Pós Doutorado.

Colega: ela deve ser muito inteligente, né?

Eu: ela é brilhante.

Colega: e ela fez mestrado e doutorado muito nova?

Eu: não, na época do mestrado meu irmão mais velho estava na adolescência e eu e o meu irmão mais novo éramos pré-adolescentes.

Colega: e teu pai?

Eu: ele faleceu no ano passado, em um acidente de carro.

Colega: e como tua mãe consegue ser tão competente e, principalmente, tão forte?

Eu: nem ela sabe, mas, com certeza, só ela consegue!

Friday, October 21, 2011

Em tempo

A pessoa mais simpática e alto-astral que eu conhecia, o zelador do meu prédio, cometeu um assassinato e se suicidou. Eu, sinceramente, não esperava!

Depois de passado o susto, toda vez que eu entrava na garagem, lembrava dele, e sempre vinha um turbilhão de pensamentos.

Será mesmo que é impossível conhecer outra pessoa?

A vida termina mostrando o tempo inteiro que sim. Às vezes é difícil até se conhecer. Eu tenho muito de me surpreender comigo mesma, o problema é que eu sou tão resistente a mudanças que, quando as realizo, já tinha passado da hora, e ai me surpreendo com o fato de ter sido tão simples, tão certo, tão “passado do tempo”, que fica difícil entender por que não tinha feito tudo antes.

Mas, e o outro? Essa angústia de querer saber do passado, como se isso fosse determinar o futuro. Ou de querer interpretar todas as atitudes. Ou de querer visualizar todo o porvir. Isso tudo, sinceramente, é um problema. Pelo menos para mim, que acho que sempre vou deixar tudo “passar da hora”. E ai o que eu poderia ter feito para melhorar, para ajudar, já não vai mais servir.

Talvez seja a hora de tentar me compreender mais e deixar cada um pensar por si. E esperar que agir assim não tenha passado da hora. 

Wednesday, September 07, 2011

Alma


Algumas pessoas amam a gente pelas mesmas coisas que fazem outras pessoas nos odiar.

Meu jeito enérgico de falar incomoda muita gente.
Painho era assim, e como eu sinto falta de escutar ele falar qualquer coisa desse jeito!
É como ele dizia: “Ta achando ruim? Mande tomar naquele canto, princesa. Isso é você. ”
Isso era ele.
E eu o amo incondicionalmente, também por isso.

Wednesday, August 31, 2011

Pelo menos


Painho não foi avô.
Não foi aposentado.
Não foi idoso nem por um ano completo.
Ele perdeu muita coisa.
A gente perdeu muito mais.

Não dá para preencher o vazio da partida de painho.
É inconcebível conviver bem com a saudade.
Não tem essa história de boas lembranças.
Saudade de quem faz a diferença é insuportável.
O espaço que a pessoa ocupava era muito grande para ser preenchido com lembranças.
Mas, pelo menos, elas são maravilhosas.

Sunday, August 21, 2011

Princípios

Educação é a palavra mais complexa da língua portuguesa.
Tanta coisa envolvida nesse processo.
Enfim!

Meus pais foram educados por princípios e pela vida.
Eu fui educada por eles.
É como um psicólogo que frequentei por um mês disse: "uma família assim é maravilhoso e também terrível".
Não poderia ter tido melhores exemplos, e por isso mesmo é tão difícil admirar qualquer outra família, pessoa, coisa. Mas enfim, eu vou aprendendo.
E, em algumas situações, eu olho ao redor e me sinto orgulhosa de mim mesma, mesmo não sendo um décimo do que são meus pais.

Ninguém, nem marido, nem sogro, nem sogra, nem chefe, nem ninguém mesmo será capaz de transformar meus princípios. Eles já se solidificaram. E não são baseados em conservadorismo, preconceito e nem mesquinhez, por mais mesquinha que eu consiga ser. E é tão bom perceber eles não serão contaminados.
E nessas horas eu vejo que o psicólogo tinha razão, mas que a frase deveria ser: uma família assim é 99% maravilhoso e 1% terrível.

Graças!

Sunday, July 31, 2011

Afinidade


 

Engraçado essa coisa de afinidade.
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Eu confesso que ainda não aprendi a lidar com a solidão.
Sempre gostei de ter o meu espaço, ficar só de vez em quando. Mais por gostar de estar por perto das “minhas” coisas, do que por amor aos minutos de solidão. Antes até curtia ficar sozinha em casa, hoje, isso me dá uma certa angústia.
Depois de perder painho passei a ter mais medo de ficar só.
Mas, mesmo antes, sempre adorei casa cheia, amigos sempre por perto e uma companhia constante.
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Acho que esse meu problema com a solidão é que me faz construir tantas amizades.
A questão é que a pessoa vai ficando mais velha e as afinidades é que vão pesando na hora de escolher os amigos.
Morar perto, estudar junto, trabalhar junto, ter amigos em comum, nada disso pesa tanto quanto ter afinidade, empatia, “bater o santo”.
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Essa turminha da pós é um exemplo disso.

Saturday, July 16, 2011

Irreversivelmente

Os momentos são preciosos demais para serem jogados fora.
É preciso cuidado, pois algumas atitudes serão inesquecíveis.
E, sempre, quase sempre, na verdade, as atitudes que machucam ficam mais tempo na memória do que as que curam.
Ai, depois de um tempo, “o lado bom se torna menor do que o ruim”. E não tem mais jeito.

Assistir ao filme Before Sunset me fez pensar em não desperdiçar mais nenhum minuto da minha existência.
Alguns acontecimentos quase trágicos na família me fizeram pensar em como o amor precisa ser cultivado. E como algumas atitudes serão inesquecíveis. As que ferem, mais do que as que curam, infelizmente.

Da minha parte, espero não ferir irreversivelmente a ninguém que amo.
Espero também não ser ferida.
Mas, nesse assunto, só dá pra fazer a minha parte.