Tuesday, December 08, 2015

Porque ela vale a pena

Sentir o gostinho de entender uma expressão em outra língua;
Acordar com aroma de café sendo passado;
Tomar o gole de um bom vinho, em casa, no final de um dia cansativo;
Receber um elogio verdadeiro de quem se ama;
Acordar sem despertador e cheia de disposição;
Conhecer um lugar diferente;
Dar a primeira garfada em uma receita deliciosa;
Sentir a endorfina liberada depois do exercício;
Ser aprovada, no que quer que seja;
Ter seu trabalho reconhecido;
Conversar com um irmão, com um pai, com uma mãe, e, finalmente, ser compreendida, já que ninguém, no mundo todo, conhece você como eles;
Ser surpreendida positivamente;
Gargalhar com algo realmente engraçado;
Abraçar um grande amigo;
Emagrecer e voltar a vestir as roupas perdidas;
Assistir um bom filme;
Acabar a leitura de um bom livro;
Tirar 10;
Tomar banho de mar;
Dar o primeiro gole de água num momento de muita sede;
Tirar o sapato apertado;
E você ainda duvida?

Saturday, February 07, 2015

Minha utopia

Machismo mata. Preconceito mata.

Não sou mãe, mas espero que se um dia eu tiver um filho, seja do sexo feminino ou masculino, eu saiba educá-lo mostrando que todo direito exige de um dever. Que homem não “ajuda” a mulher em casa. A casa é dos dois e são eles que devem zelar por ela. E zelar é limpar, cozinhar, colocar dinheiro para comprar a feira e tudo o que for preciso. Que o homem não é menos homem porque varre o chão, nem a mulher é menos mulher porque divide as contas e, se tiver mais dinheiro, paga uma parcela maior das despesas.

Não sou mãe, mas espero que se um dia eu tiver um filho, seja do sexo feminino ou masculino, eu saiba perceber os seus desejos e, claro, estar do lado dele independentemente de qual seja a sua escolha. Se ele for heterossexual, homossexual, transexual, o importante é que seja feliz. E felicidade a gente só encontra sendo o que a gente é. O que a sociedade deseja é problema da sociedade. Nós fazemos a sociedade e se nós mesmos não mudarmos nunca teremos uma sociedade melhor. Espero ter um filho, seja do sexo feminino ou masculino, saudável e feliz. O resto é escolha dele.

Não sou mãe, mas sofro por elas toda vez que uma filha delas é violentada ou agredida, sofro por elas toda vez que um filho delas é assassinado por gostar de outro homem, sofro por elas toda vez que uma vida é devastada pelo machismo ou pelo preconceito. 

A minha utopia é que, um dia, todas as pessoas se aceitem do jeito que elas são. Acredito que quem se aceita não perde tempo incomodado com o outro. Quem se aceita não perde tempo querendo provar nada a ninguém e ai, qual o sentido do machismo ou do preconceito? Nenhum.   

Tuesday, September 02, 2014

Que seja diferente



Defendo que não é possível escrever com propriedade sobre um sentimento desconhecido. Sobre uma sensação nunca vivida, pior ainda. 

Passei a adolescência inteira com medo de engravidar, mesmo adiando a perda da minha virgindade para os 20 anos. Hoje, já começo a pensar em ter medo de não poder engravidar.

Tive todos os acessos do mundo: escola privada de qualidade, pais instruídos, médicos e, como se não bastasse, uma mãe que trabalha com DST e conversa sobre sexo desde que nos entendemos por gente. Fui ao ginecologista, passei a tomar pílula, fazer o preventivo, tomar todos os cuidados necessários. Não tive uma gravidez precoce. 

Não nasci na era do Google, ele veio depois. Mas sabia, desde cedo, quais eram e como se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada.

A filha da minha empregada nasceu na era da Internet. Teve chance de frequentar a ginecologista desde o inicio da puberdade. Virou evangélica. Aprendeu a priorizar os estudos e o trabalho. Engravidou antes de completar 18 anos. “É safadeza. Hoje, todo mundo tem acesso à informação.” Será suficiente? O que vejo é que, com tanta “informação”, falta instrução. Com tanto acesso, falta educação. Com tanto site de busca na Internet, falta apoio familiar, escolar, governamental.

Não sou pobre, negra, estudante de escola pública, moradora de bairro popular. Sou mulher e o fato de desviar o caminho quando estou andando sozinha e vejo um homem me encarando, ou escutar uma cantada e ter medo de revidar, me faz ter ideia do que é ser uma minoria. Imagina como se sente a filha da minha empregada. 

Ela nasceu em uma casa, teve pai e mãe, acesso ao estudo e a tecnologia. Minha empregada nasceu no interior, perdeu o pai, teve uma mãe que tentou prostituí-la, não estudou e nem sempre teve onde morar. As duas tiveram filhos antes dos 25 anos. 

As coisas mudaram, mas, enquanto a educação não for uma prioridade, as mudanças não serão tão profundas assim. 
  

Monday, August 18, 2014

Peru de Machu Picchu e das buzinas


É muito interessante conhecer o Peru.

Por lá, é impossível não aprender sobre as culturas pré-incaicas, Inca e colonial. A colonização portuguesa dizimou os nossos índios e escravizou os africanos. No Peru, os escravizados foram os índios. Muito legal visitar os museus, os sítios arqueológicos, as catedrais e as fortalezas para aprender sobre os períodos anteriores e posteriores a colonização espanhola. O país é história pura.

A comida, principalmente em Lima (com os pescados maravilhosos do Pacífico), é maravilhosa. O Cuy (nosso porquinho-da-índia) foi a única coisa que não gostei de comer por lá. E os milhos, meu Deus, foram minha predileção. O pisco sour, a chicha morada e até a cerveja cusqueña colocam as bebidas como itens indispensáveis de atrações do país.

Mas, no quesito desenvolvimento, o Peru é o Brasil da década de 1990. Passamos por povoados sem energia elétrica; carros levando mais de três pessoas no banco de trás, todos sem cinto de segurança; trânsito desordenado, com pouquíssima sinalização e muita buzina. Para se ter uma ideia, tive saudade do trânsito do Recife. O transporte público é de péssima qualidade, ônibus do tido que não se vê mais por aqui e muito taxista sem escrúpulos. É bom vivenciar o “Brasil do passado” para perceber como ele evoluiu. Mas, claro, ainda precisa de muito mais. 

Para quem for conhecer as terras peruanas, minhas dicas são: não deixar de visitar, em Lima, o Museu Larco, o Convento de São Francisco e o Parque do Amor. Se puder, esticar para a Fortaleza Real Felipe, em Callao. Em Arequipa, não deixar de visitar o Monastério de Santa Catalina, o Museu dos Santuários Andinos (Múmia Juanita) e NÃO comer o cuy. Em Cusco, não deixar de fazer o city tour pelos sítios arqueológicos próximos da cidade, ir a Machu Picchu, claro, e fazer o passeio do Vale Sagrado. Não deu tempo de visitar o Lago Titica, então recomendo programar os dias para que não percam essa oportunidade. E não recomendo o passeio do Cañon del Colca, principalmente para quem conhece bem o sertão. No mais, comam muito milho, de todos os tipos, e não deixem de provar o maravilhoso chocolate La Ibérica (conheci em Arequipa) e de fazer a visita ao Choco Museo (tem em Lima e em Cusco). Em Arequipa e em Cusco, cuidado com a altitude! Nada de sair do hotel sem descansar antes e tomar o chá de coca sempre que possível. Eu achei delicioso, mas, mesmo se não gostar, trate como remédio e tome!

Fiquei pensando sobre o que achei da viagem e cheguei à conclusão de que o Peru é um país para se conhecer, principalmente pela história, pela cultura e pela gastronomia, mas, que não deixa gostinho de quero mais, principalmente pela desordem. Adorei visitar o Peru, mas, gostei mais ainda de voltar pra casa.       
               

Wednesday, June 04, 2014

Que seja para o povo

Não acho que nosso país está perfeito. Enquanto houver analfabetismo, gente morrendo em corredores de hospitais, corrupção na política e nas outras esferas da sociedade, muita coisa ainda há de melhorar.  Mas sinto orgulho de algumas mudanças fundamentais no cotidiano do povo brasileiro. 

Acho incrível quando o taxista me diz que o filho dele está fazendo o doutorado na UFPE. Acho mais incrível ainda quando um estudante de escola pública volta do exterior com uma bagagem cultural bem maior do que a sua mala de mão. E acho tudo isso incrível porque há 20 anos não conhecia muitos casos assim.

Acho que o papel do povo é fundamental para que as mudanças se concretizem. Mas acho também que a arrogância intelectual ou financeira de alguns não pode ofuscar uma luta tão antiga e que começa a ter algumas conquistas. Que o Brasil continue avançado, mas para o povo, não apenas para esses alguns.    

Sunday, May 04, 2014

O Paço do Frevo

Ando reclamando muito do Recife. Dirigir todo dia da UFPE para as Graças anda ajudando bastante para tanta lástima. Tenho culpa na falta de mobilidade que assola a cidade, com meu carro que quase sempre conduzo sozinha, mas não acredito que ajudo tanto mais do que a falta de transporte público de qualidade, a falta de calçadas, a falta de tanta coisa. Sem falar da violência, da falta de respeito, da falta de serviços de qualidade...

Mas o sentimento de pertencimento é um privilégio que hoje, adulta, percebo como é valioso. Desde a morte de painho não brinco o Carnaval, mas, mesmo assim, sou totalmente parte dele. Conheço cada recanto das ladeiras de Olinda (cidade alta), onde passei a infância inteira carnavalizando. Conheço como poucos como é participar de verdade de um bloco, o da Saudade que o diga, e participei do início da retomada do Carnaval do Recife Antigo. Sou Recifense da gema, dos rios, das pontes e da praia, que, mesmo com tubarão, teria minha visita todos os dias, se o trânsito permitisse. Porque sou da zona norte e não trocaria os bairros que viram um só, como Aflitos, Graças e Espinheiro por nenhuma zona sul.

Visitar o Paço do Frevo, ontem, foi comprovar como é bom pertencer a alguma coisa. O lugar merece demais uma visita e não deixa a desejar a nenhum espaço cultural do mundo. O Paço do Frevo tem história, poesia, interatividade, fotografia, escultura, áudio e vídeo. O Paço do Frevo tem a história do Frevo, do Recife e, consequentemente, da minha própria vida a simbólicos R$ 6. O Paço do Frevo me fez sentir orgulho de ser recifense, como todo recifense que visitá-lo, certamente, irá sentir.         

Wednesday, March 26, 2014

Simpatia é que é fundamental


Simpatia, para mim, é fundamental.

Quanto psicopatas são simpáticos e agradáveis, enquanto o esquisitão da turma pode terminar sendo o único a te ajudar na hora do aperto.
Não estou dizendo que a pessoa, por ser simpática, será melhor ou pior. Mas que um sorriso no rosto ajuda a melhorar qualquer tensão, disso eu não tenho dúvida.

Admito que prefiro as pessoas simpáticas. Admito que confundo, num primeiro momento, antipatia com chatice. Admito que já me decepcionei muito com os simpáticos desse mundo. Mesmo assim, a simpatia sempre me ganha.

Melhor mesmo é perceber que a minha simpatia ganha os outros.
 
Porque, sim, eu sou simpática.

Posso não ser organizada, posso não ser esperta, posso não ser calma, posso não perfeccionista, posso não ser elegante, posso não ser discreta, posso não ser um bando de coisa. Mas, que eu sou simpática, disso eu também não tenho dúvida.

E, essa semana, a pessoa mais fechada de um setor que sempre preciso freqüentar no trabalho, ao me vê, abriu o sorriso e disse: tudo bom? Nunca mais tinha lhe visto! Você está bem? E eu respondi, com um sorriso maior ainda: estou ótima, e você? E ganhei meu dia. Sabe por que? Porque, com simpatia e persistência, consegui que a pessoa mais fechada do setor passasse a responder com simpatia à minha presença. E o ambiente, no mesmo instante, se tornou mais agradável.

Vinícius, querido, beleza, pra você, pode ser fundamental. Para mim, que me desculpem os antipáticos, mas simpatia é que é fundamental.

Monday, March 17, 2014

Março de auto ajuda

Na vida, as coisas acontecem na hora que devem acontecer.

Nem todos os sonhos vão se realizar. E, no final, alguns sonhos seriam a pior coisa que poderiam ter acontecido.
É impossível se livrar do medo, mas é preciso enfrentá-lo, sempre. Até porque ele volta com outras caras de acordo com cada fase da sua vida.
O melhor é não guardar mágoa de ninguém. O melhor é só guardar amor.
Saudade é foda, mas é melhor aprender a conviver com ela. Quando se perde alguém que se ama de verdade, ela nunca deixa de fazer parte da sua vida.
Todo mundo tem defeitos e qualidades, melhor aprender a conviver com as pessoas do jeito que elas são. Caso contrário, melhor aprender a lidar com a solidão. Melhor dizendo, é sempre bom aprender a lidar com a solidão porque a única certeza da vida é a morte e a única constante na vida é a mudança.

Mês cansativo exigindo a reflexão sobre todos os clichês que começam a sair do campo teórico e a entrar na vida prática.

Wednesday, July 24, 2013

Culpa do salto


A conversa era sobre como o salto alto muda a forma de a mulher encarar o mundo: “até gostaria de andar sem salto, mas com ele fico muito mais segura”, explicou uma conhecida, no máximo da sua auto-suficiência.

Engraçada essa história de como encarar o mundo. Tão fácil falar, né? Mas, com o passar dos anos, percebo que minhas lentes mudaram bastante. A noção da vulnerabilidade da vida e a experiência profissional (não é tão grande, mas já começa a se desenhar) mudam a gente, viu? Certo dia escutei: “Eliza, você é TÃO especial, sabia?” Assim, do nada, na fila de espera do salão de beleza. A recepcionista me fez ganhar o dia e, depois, refletir. Especial. Será? Pelo menos aprendi a respeitar o outro, independentemente de quão diferente de mim ele seja, independentemente do meu preconceito.

Nunca usei floral, tentei yoga e pilates, mas só o ballet clássico foi capaz de domar a minha ansiedade. Fiz terapia e, sim, recebi alta. Os amigos até dizem que foi porque o terapeuta não aguentava mais me ouvir falar. Os amigos de verdade percebem o motivo: sou tão imperfeita quanto qualquer outro humano, mas, pelo menos por enquanto, aprendi a lidar com minhas imperfeições. Mesmo sem o ballet clássico e sem a terapia, venho lidando com minha ansiedade.


Essa semana, vivi um novo desafio e, ao invés do sentimento que tinha na iminência de uma realidade desconhecida, o coração disparou, mas a mente ficou tranquila. É verdade, eu estava de salto alto. É verdade, ele deve ter ajudado.

Thursday, January 17, 2013

Nossa classe média



Eu adorei o filme “O Som ao Redor”, de Kleber Mendoça. Não sou cinéfila, não li nada sobre a película e fui assistir ao longa pelo simples fato de estar “dando o que falar”. Ainda bem!

O filme é o retrato da classe média recifense. E é, mais ainda, o retrato do nosso descaso com o que vira cotidiano. Estamos tão acostumados com olhar apenas para os nossos umbigos que perceber o óbvio, quando está dentro das nossas ruas e das nossas salas, nos parece impossível. Adorei a forma como a película foi construída, como se nada estivesse muito conectado para, no final, a “bomba” que ia assustar o cachorro terminar ocultando o que estava tão exposto, que ficou oculto.

Amei "O Som ao redor"!