Wednesday, June 04, 2014

Que seja para o povo

Não acho que nosso país está perfeito. Enquanto houver analfabetismo, gente morrendo em corredores de hospitais, corrupção na política e nas outras esferas da sociedade, muita coisa ainda há de melhorar.  Mas sinto orgulho de algumas mudanças fundamentais no cotidiano do povo brasileiro. 

Acho incrível quando o taxista me diz que o filho dele está fazendo o doutorado na UFPE. Acho mais incrível ainda quando um estudante de escola pública volta do exterior com uma bagagem cultural bem maior do que a sua mala de mão. E acho tudo isso incrível porque há 20 anos não conhecia muitos casos assim.

Acho que o papel do povo é fundamental para que as mudanças se concretizem. Mas acho também que a arrogância intelectual ou financeira de alguns não pode ofuscar uma luta tão antiga e que começa a ter algumas conquistas. Que o Brasil continue avançado, mas para o povo, não apenas para esses alguns.    

Sunday, May 04, 2014

O Paço do Frevo

Ando reclamando muito do Recife. Dirigir todo dia da UFPE para as Graças anda ajudando bastante para tanta lástima. Tenho culpa na falta de mobilidade que assola a cidade, com meu carro que quase sempre conduzo sozinha, mas não acredito que ajudo tanto mais do que a falta de transporte público de qualidade, a falta de calçadas, a falta de tanta coisa. Sem falar da violência, da falta de respeito, da falta de serviços de qualidade...

Mas o sentimento de pertencimento é um privilégio que hoje, adulta, percebo como é valioso. Desde a morte de painho não brinco o Carnaval, mas, mesmo assim, sou totalmente parte dele. Conheço cada recanto das ladeiras de Olinda (cidade alta), onde passei a infância inteira carnavalizando. Conheço como poucos como é participar de verdade de um bloco, o da Saudade que o diga, e participei do início da retomada do Carnaval do Recife Antigo. Sou Recifense da gema, dos rios, das pontes e da praia, que, mesmo com tubarão, teria minha visita todos os dias, se o trânsito permitisse. Porque sou da zona norte e não trocaria os bairros que viram um só, como Aflitos, Graças e Espinheiro por nenhuma zona sul.

Visitar o Paço do Frevo, ontem, foi comprovar como é bom pertencer a alguma coisa. O lugar merece demais uma visita e não deixa a desejar a nenhum espaço cultural do mundo. O Paço do Frevo tem história, poesia, interatividade, fotografia, escultura, áudio e vídeo. O Paço do Frevo tem a história do Frevo, do Recife e, consequentemente, da minha própria vida a simbólicos R$ 6. O Paço do Frevo me fez sentir orgulho de ser recifense, como todo recifense que visitá-lo, certamente, irá sentir.         

Wednesday, March 26, 2014

Simpatia é que é fundamental


Simpatia, para mim, é fundamental.

Quanto psicopatas são simpáticos e agradáveis, enquanto o esquisitão da turma pode terminar sendo o único a te ajudar na hora do aperto.
Não estou dizendo que a pessoa, por ser simpática, será melhor ou pior. Mas que um sorriso no rosto ajuda a melhorar qualquer tensão, disso eu não tenho dúvida.

Admito que prefiro as pessoas simpáticas. Admito que confundo, num primeiro momento, antipatia com chatice. Admito que já me decepcionei muito com os simpáticos desse mundo. Mesmo assim, a simpatia sempre me ganha.

Melhor mesmo é perceber que a minha simpatia ganha os outros.
 
Porque, sim, eu sou simpática.

Posso não ser organizada, posso não ser esperta, posso não ser calma, posso não perfeccionista, posso não ser elegante, posso não ser discreta, posso não ser um bando de coisa. Mas, que eu sou simpática, disso eu também não tenho dúvida.

E, essa semana, a pessoa mais fechada de um setor que sempre preciso freqüentar no trabalho, ao me vê, abriu o sorriso e disse: tudo bom? Nunca mais tinha lhe visto! Você está bem? E eu respondi, com um sorriso maior ainda: estou ótima, e você? E ganhei meu dia. Sabe por que? Porque, com simpatia e persistência, consegui que a pessoa mais fechada do setor passasse a responder com simpatia à minha presença. E o ambiente, no mesmo instante, se tornou mais agradável.

Vinícius, querido, beleza, pra você, pode ser fundamental. Para mim, que me desculpem os antipáticos, mas simpatia é que é fundamental.

Monday, March 17, 2014

Março de auto ajuda

Na vida, as coisas acontecem na hora que devem acontecer.

Nem todos os sonhos vão se realizar. E, no final, alguns sonhos seriam a pior coisa que poderiam ter acontecido.
É impossível se livrar do medo, mas é preciso enfrentá-lo, sempre. Até porque ele volta com outras caras de acordo com cada fase da sua vida.
O melhor é não guardar mágoa de ninguém. O melhor é só guardar amor.
Saudade é foda, mas é melhor aprender a conviver com ela. Quando se perde alguém que se ama de verdade, ela nunca deixa de fazer parte da sua vida.
Todo mundo tem defeitos e qualidades, melhor aprender a conviver com as pessoas do jeito que elas são. Caso contrário, melhor aprender a lidar com a solidão. Melhor dizendo, é sempre bom aprender a lidar com a solidão, porque a única certeza da vida é a morte e a única constante na vida é a mudança.

Mês cansativo exigindo a reflexão sobre todos os clichês que começam a sair do campo teórico e a entrar na vida prática.

Wednesday, July 24, 2013

Culpa do salto


A conversa era sobre como o salto alto muda a forma de a mulher encarar o mundo: “até gostaria de andar sem salto, mas com ele fico muito mais segura”, explicou uma conhecida, no máximo da sua auto-suficiência.

Engraçada essa história de como encarar o mundo. Tão fácil falar, né? Mas, com o passar dos anos, percebo que minhas lentes mudaram bastante. A noção da vulnerabilidade da vida e a experiência profissional (não é tão grande, mas já começa a se desenhar) mudam a gente, viu? Certo dia escutei: “Eliza, você é TÃO especial, sabia?” Assim, do nada, na fila de espera do salão de beleza. A recepcionista me fez ganhar o dia e, depois, refletir. Especial. Será? Pelo menos aprendi a respeitar o outro, independentemente de quão diferente de mim ele seja, independentemente do meu preconceito.

Nunca usei floral, tentei yoga e pilates, mas só o ballet clássico foi capaz de domar a minha ansiedade. Fiz terapia e, sim, recebi alta. Os amigos até dizem que foi porque o terapeuta não aguentava mais me ouvir falar. Os amigos de verdade percebem o motivo: sou tão imperfeita quanto qualquer outro humano, mas, pelo menos por enquanto, aprendi a lidar com minhas imperfeições. Mesmo sem o ballet clássico e sem a terapia, venho lidando com minha ansiedade.


Essa semana, vivi um novo desafio e, ao invés do sentimento que tinha na iminência de uma realidade desconhecida, o coração disparou, mas a mente ficou tranquila. É verdade, eu estava de salto alto. É verdade, ele deve ter ajudado.

Thursday, January 17, 2013

Nossa classe média



Eu adorei o filme “O Som ao Redor”, de Kleber Mendoça. Não sou cinéfila, não li nada sobre a película e fui assistir ao longa pelo simples fato de estar “dando o que falar”. Ainda bem!

O filme é o retrato da classe média recifense. E é, mais ainda, o retrato do nosso descaso com o que vira cotidiano. Estamos tão acostumados com olhar apenas para os nossos umbigos que perceber o óbvio, quando está dentro das nossas ruas e das nossas salas, nos parece impossível. Adorei a forma como a película foi construída, como se nada estivesse muito conectado para, no final, a “bomba” que ia assustar o cachorro terminar ocultando o que estava tão exposto, que ficou oculto.

Amei "O Som ao redor"!

Wednesday, January 16, 2013

Meus "Gonzagões"


Outro dia, durante o Programa do Faustão, Francisco Coco disse que todo mundo tinha uma história admirável de superação para contar. Não gosto do programa do Faustão, nem acho Francisco Coco o melhor ator do país, mas fiquei com isso na cabeça. Ontem, comecei a assistir a série de Luiz Gonzaga e ai fiquei com esse pensamento martelando na cabeça.

O que faz uma pessoa ter destaque? E depois de obtido o sucesso, o que faz com que ela mantenha a admiração alheia por mais de uma geração? 

Luiz Gonzaga era incrível, mas era confuso, era impulsivo, tinha uma estranha admiração por Lampião e pela vida militar. Enfim, Gonzagão era o máximo, e era humano. Como ele, mil sertanejos fortes conseguiram superar a pobreza, a ignorância, a falta de oportunidades, a falta de dignidade, a falta de respeito e venceram. Essas pessoas se mantêm anônimas, ele será, para sempre, Gonzagão.

Meus pais são os “Gonzagões” mais admiráveis que conheço. Superaram tudo que ele também superou (meu pai ainda superou uma família desestruturada pela constante ausência do pai) e conseguiram traçar uma carreira profissional de sucesso, construir uma família estruturada e dar dignidade para muita gente. Eles serão, para sempre, meus mais admiráveis “Gonzagões”.

Wednesday, December 19, 2012

Obrigada 2012!


Muita coisa boa aconteceu.

Foi um ano de conquistas profissionais e materiais.
Foi um ano de conquistas subjetivas.
Tive algumas provas de fogo. Acho que pude aprender com elas.
Estou mais cautelosa, porque medrosa soa mais covarde.
Estou mais seletiva.
Estou mais honesta com os meus desejos e com as minhas vontades.

Espero novas conquistas para 2013, menos provas de fogo e mais aprendizados.

Que venha o ano novo!

Monday, December 03, 2012

Dependência boa


Dependência do elogio, do abraço carinhoso, do beijo apaixonado, da paz de espírito, da compreensão.

Dependência da certeza do acordo, da segurança, da prestatividade, da paixão.

Dependência do amor.

Wednesday, June 06, 2012

Em dívida


Crescer é difícil. Não sei exatamente por que motivo a vida está insistindo em me fazer encarar essa realidade. Perder painho e, dessa forma, o chão; me envolver em um acidente com vítima; ficar sem nenhum familiar por perto na hora que mais precisava; administrar burocracias antes resolvidas por mainha ou painho... Ninguém disse que seria fácil, né? Mas é engraçado como as coisas começam a fazer mais sentido depois de tudo isso. Sempre me achei medrosa e despreparada. Não entendia como, já que Ana Brito (mainha) e Ruy Pereira (painho) sempre foram, para mim e para o mundo, sinônimos de coragem. Tanta coragem que podia ser confundida com brabeza. E, nessas horas, como sou braba e corajosa! É de ficar impressionada comigo mesma. E é de ficar ainda mais impressionada com o fato de que contar, mas contar de verdade com alguém, principalmente nessas horas, é ainda mais difícil do que crescer.   

Quase enlouqueço Daniel no último mês e ele, ao invés de se afastar, não saiu do meu lado. Luquinhas e Nata, nem comento! Irmãos que a vida me deu e que, por isso, podem ser ferozmente sinceros, né Nata? Ou volúveis, né Luquinhas? Porque na hora do “vamos ver”, eles sim vão trabalhar de graça para me ajudar ou perder uma festa para não me deixar sozinha com o carro sem bateria. Eles, sim. Porque “ser de verdade” é para poucos, muito poucos. Claro que Daniel, Luquinhas e Nata não são os únicos amigos com os quais posso contar, graças a Deus! Pessoas maravilhosas que estão sempre ao meu lado também são exemplos de “ser de verdade”. Mas não se iludam, o número dessas pessoas não chega nem perto dos 900 amigos do face. E não chega mesmo! Ai, como sempre me alertou Nata, eu vou aprendendo a fazer menos por quem nada faz e mais, por quem merece. Ainda bem que meu saldo é grande, mas com alguns poucos, ainda estou em dívida!        

Saturday, May 19, 2012

Minha segurança


Essa coisa de segurança é muito engraçada.

Eu tive vontade de fazer psicologia antes de me decidir pelo jornalismo. Hoje, feliz e realizada com minha profissão, não tenho dúvida de que fiz a escolha certa, mas não deixo de me pegar analisando tudo e todos, sempre.

Acredito em instinto. Não consigo conviver bem com animais irracionais, exatamente porque, para mim, o homem - que deveria ser um animal racional - já parece tão irracional, que mais do que isso realmente me assusta.


Sempre me senti atraída por homens altos e fortes. Nem precisava de muita beleza, até porque homem com carinha de mulher é brochante. :P E eu sempre soube que esse tipo físico me atraia por causa da falsa segurança que me passava. Com um “brutamontes” desse não era possível que eu não estivesse segura. Engraçado!

Hoje eu descobri a verdadeira segurança. Posso acordar feia, engordar três quilos, brigar no dia anterior, ter uma crise de ciúme infundada (geralmente é muito bem fundada), ter opiniões contrárias e continuar tendo o melhor relacionamento. Posso programar meus dias, porque se marcarmos para ir ao cinema, iremos ao cinema. Posso andar sem dinheiro na carteira, porque se me sentir mal na festa de algum amigo dele, não vou precisar pegar um táxi, ele vai para o hospital ou para onde for preciso comigo. Posso ter pesadelos, porque se ele estiver do meu lado, vai ficar abraçado comigo até eu voltar a dormir.


Hulk é o que o mundo precisa na hora de um ataque extraterrestre, para os dias normais, Bruce Banner é bem mais apropriado. E ainda bem que eu tenho o meu, só que bem melhorado. J

Saturday, February 25, 2012

Apreciando a paisagem

Tudo tem seu tempo. A vida vai ensinando que essa ansiedade não leva a lugar nenhum e que as coisas acontecem na hora certa. Às vezes vai ficar tudo meio sem sentido mesmo. E nessas horas, nas quais a ansiedade angustia mais, nada vai sair da inércia. O importante é não ficar parado. A linha de chegada, que na sua cabeça deveria estar no próximo domingo, pode vir apenas alguns 300 domingos depois, mas, se você continuar tentando, ela vai chegar. E quando chegar, você vai entender como todo o percurso foi importante.

Desde pequena viajei de Recife até Serra Negra do Norte, no sertão potiguar. Que coisa angustiante ficar sentada no carro, brigando por espaço no banco de trás com Artur e Bruno, e esperando as seis, sete horas necessárias para pisar em solo sertanejo. Tio Acácio dizia que o melhor não era o chegar, era o durante, e mandava a gente apreciar a paisagem. Paisagem essa que já conhecíamos como nossas próprias mãos.

Por mais estranho que seja “apreciar a paisagem” a vida é isso mesmo. O “durante” é sempre mais importante, é ele que leva ao “chegar”. E ai, quando você chegar, lembre: o importante é não ficar parado!     

Sunday, January 01, 2012

Questão de perspectiva

É Muito difícil olhar pela perspectiva do outro. É difícil quando o outro teve uma criação parecida, estudou nos mesmo colégios, tem o mesmo padrão de vida. É mais difícil ainda quando o outro teve uma vida bem diferente. Não estou falando em outras culturas. Isso é foda! Não tem como “ler” uma cultura diferente da nossa. A gente “ler” usando como referência a nossa cultura e ai tudo é analogia. Estou falando em olhar pela perspectiva de outra pessoa nascida e criada na mesma cidade que a nossa, mas que não é a gente. Escutei uma vez que casar é sempre muito difícil porque o outro, por mais anos que vocês já convivam, ainda é um estranho, estranho no sentido de não ter nascido da mesma barriga, não ter tido os mesmos pais, a mesma infância, os mesmos amigos, a mesma casa, os mesmos avós, ou seja, as mesmas referências. Porra, eu concordo! O outro é sempre um estranho. Por mais estranho que isso pareça. E é engraçado, quando a pessoa acha que não ta mais estranho, fica estranho. Assim, do nada! E ficar estranho não significa ficar ruim, nem ficar bom, simplesmente ficar estranho, diferente.

Eu acho que, além de não ser fácil olhar pela perspectiva do outro, eu não gosto muito de fazer isso. Eu tenho dificuldade de perceber que não estou fazendo, sabe como é? Ai quando caio na real, paro e passo horas (re)analisando um bando de situações. No final, me sinto meio mal, mas sempre acho que era mesmo do jeito que tinha achado no exato momento do exemplo. Que pessoa terrível eu sou, né? E o pior, é sempre assim! Termina que eu já cresci muito com as experiências vividas, claro que mudei bastante também, mas poderia ter mudado bem mais. Poderia talvez ser até uma pessoa mais tranquila. E eu nem sei se isso seria realmente tão bom assim. Talvez 2012 seja um ano mais desafiador do que o esperado. Mas, vamos que vamos!

Friday, December 30, 2011

Que venha 2012!


Ano passado não fiz planos, pedi apenas que o ano fosse melhor do que o de 2010. Pedir apenas que seja melhor é muita petulância! Mas foi isso que fiz. E foi isso que ganhei. Em 2011 não aprendi a lidar com a perda de painho. Não aprendi a sentir menos saudades. Não aprendi a parar de sonhar que ele ainda está vivo. Não aprendi a entender as crenças espíritas, católicas ou evangélicas. Eu acho insuportável essa história de que apenas a matéria se foi. Meu amigo, era a matéria que me abraçava, que me escutava, que gargalhava, que ia lá e resolvia tranquilamente qualquer problema. Como não MORRER de saudade dessa matéria? Isso eu não aprendi. Mas aprendi a não culpar nada nem ninguém pela minha perda. Aprendi a não julgar o sentimento e a reação do próximo. Aprendi a valorizar a solidariedade. Aprendi a ser solidária. Ser de verdade, não apenas comparecer a um enterro ou missa de sétimo dia. Aprendi a valorizar os momentos, porque a vida é feita deles e por mais clichê que isso seja, só é clichê porque é a mais pura verdade.


Esse ano foi repleto de momentos felizes e boas surpresas. Veio o Diario, depois veio Daniel, depois veio a viagem de mainha e no meio tempo vieram novos aprendizados, novos amigos e novos momentos de confraternizar com os amigos antigos. Finalizei mais uma etapa com a aprovação no curso de especialização e terminei deixando os estudos um pouco de lado. Emagreci e voltei a engordar, matei um pouquinho da saudade de JB, aproveitei não fazer nada e fiquei feliz pela felicidade do outro, principalmente de Luquinhas, que seguiu meu conselho depois de oito anos de amizade. Uma hora eu ia conseguir!


Agora, época de fazer planos, metas e pedidos, eu quero agradecer. 2011, muito obrigada por tudo! 2012, que você seja tão bom quanto 2011. Eu sei que é muita petulância pedir isso, mas já que vem dando certo, por que não tentar?


Saturday, November 26, 2011

Que honra!


Acho que vou ser aquelas velhinhas que não conseguem ouvidos para tantas histórias. Não só porque gosto tanto de falar que sou conhecida por isso, mas porque a minha vida é uma benção de pessoas e histórias lindas.

Hoje presenciei uma das mais lindas cerimônias de casamento que pode haver. Não tinha nenhuma celebração religiosa. O lugar, lindo e agradabilíssimo, não contou com bandas, decorações chamativas nem mesas gigantescas de comida. Ao invés do arroz, jogamos bombons para adoçar a vida dos noivos. E ao invés de formalidades, passamos o final da tarde e o começo da noite relembrando as leseiras da época do Recanto e compartilhando amor verdadeiro.

Que honra que tenho em fazer parte de um grupo seleto de pessoas que se amam pelo que são. Que honra em participar de um momento lindo e cheio de autenticidade. Que outros instantes assim voltem a acontecer. Sempre!

Wednesday, October 26, 2011

Verdade absoluta


Colega: e qual a especialização da sua mãe, afinal?

Eu: ela tem quatro.

Colega: e o que ela foi fazer nos Estados Unidos?

Eu: Pós Doutorado.

Colega: ela deve ser muito inteligente, né?

Eu: ela é brilhante.

Colega: e ela fez mestrado e doutorado muito nova?

Eu: não, na época do mestrado meu irmão mais velho estava na adolescência e eu e o meu irmão mais novo éramos pré-adolescentes.

Colega: e teu pai?

Eu: ele faleceu no ano passado, em um acidente de carro.

Colega: e como tua mãe consegue ser tão competente e, principalmente, tão forte?

Eu: nem ela sabe, mas, com certeza, só ela consegue!

Friday, October 21, 2011

Em tempo

A pessoa mais simpática e alto-astral que eu conhecia, o zelador do meu prédio, cometeu um assassinato e se suicidou. Eu, sinceramente, não esperava!

Depois de passado o susto, toda vez que eu entrava na garagem, lembrava dele, e sempre vinha um turbilhão de pensamentos.

Será mesmo que é impossível conhecer outra pessoa?

A vida termina mostrando o tempo inteiro que sim. Às vezes é difícil até se conhecer. Eu tenho muito de me surpreender comigo mesma, o problema é que eu sou tão resistente a mudanças que, quando as realizo, já tinha passado da hora, e ai me surpreendo com o fato de ter sido tão simples, tão certo, tão “passado do tempo”, que fica difícil entender por que não tinha feito tudo antes.

Mas, e o outro? Essa angústia de querer saber do passado, como se isso fosse determinar o futuro. Ou de querer interpretar todas as atitudes. Ou de querer visualizar todo o porvir. Isso tudo, sinceramente, é um problema. Pelo menos para mim, que acho que sempre vou deixar tudo “passar da hora”. E ai o que eu poderia ter feito para melhorar, para ajudar, já não vai mais servir.

Talvez seja a hora de tentar me compreender mais e deixar cada um pensar por si. E esperar que agir assim não tenha passado da hora. 

Wednesday, September 07, 2011

Alma


Algumas pessoas amam a gente pelas mesmas coisas que fazem outras pessoas nos odiar.

Meu jeito enérgico de falar incomoda muita gente.
Painho era assim, e como eu sinto falta de escutar ele falar qualquer coisa desse jeito!
É como ele dizia: “Ta achando ruim? Mande tomar naquele canto, princesa. Isso é você. ”
Isso era ele.
E eu o amo incondicionalmente, também por isso.

Wednesday, August 31, 2011

Pelo menos


Painho não foi avô.
Não foi aposentado.
Não foi idoso nem por um ano completo.
Ele perdeu muita coisa.
A gente perdeu muito mais.

Não dá para preencher o vazio da partida de painho.
É inconcebível conviver bem com a saudade.
Não tem essa história de boas lembranças.
Saudade de quem faz a diferença é insuportável.
O espaço que a pessoa ocupava era muito grande para ser preenchido com lembranças.
Mas, pelo menos, elas são maravilhosas.

Sunday, August 21, 2011

Princípios

Educação é a palavra mais complexa da língua portuguesa.
Tanta coisa envolvida nesse processo.
Enfim!

Meus pais foram educados por princípios e pela vida.
Eu fui educada por eles.
É como um psicólogo que frequentei por um mês disse: "uma família assim é maravilhoso e também terrível".
Não poderia ter tido melhores exemplos, e por isso mesmo é tão difícil admirar qualquer outra família, pessoa, coisa. Mas enfim, eu vou aprendendo.
E, em algumas situações, eu olho ao redor e me sinto orgulhosa de mim mesma, mesmo não sendo um décimo do que são meus pais.

Ninguém, nem marido, nem sogro, nem sogra, nem chefe, nem ninguém mesmo será capaz de transformar meus princípios. Eles já se solidificaram. E não são baseados em conservadorismo, preconceito e nem mesquinhez, por mais mesquinha que eu consiga ser. E é tão bom perceber eles não serão contaminados.
E nessas horas eu vejo que o psicólogo tinha razão, mas que a frase deveria ser: uma família assim é 99% maravilhoso e 1% terrível.

Graças!